Blog sobre Arqueologia no vale do rio Itapocu. Criado com a finalidade de estudar e preservar o material arqueológico existente na região que abrange todo o vale do rio Itapocu, incluíndo a catalogação e conservação de acervos particulares e sítios arqueológicos ainda existentes (cerâmico, lítico, abrigo sob rocha, etc...). Todas as peças fotografadas neste blog (não foram usados escalas), são em sua maioria oríundas de descobertas aleatórias e fortuitas de seus detentores. Com este trabalho, se pretende criar em breve um Museu de Arqueologia do Vale do Itapocu pra preservar a história dos primeiros habitantes da nossa região (Homem do Sambaqui, Itararés e Guaranis). A comercialização de qualquer material arqueológico no Brasil caracteriza crime previsto em lei. Esta pesquisa será incluída no documentário e livro: Redescobrindo o Itapocu.

Observações: O idealizador deste blog e sua pesquisa sobre arqueologia não tem vínculos com órgãos públicos reguladores e fiscalizadores (FUNAI, IPHAN), instituições acadêmicas e também não participa de qualquer grupo ativista e político indigenista!

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Caminho do Peabiru - Ramal Santa Catarina

Proposta da criação de um Museu de Arqueologia do vale do Itapocu no colegiado de cultura da AMVALI.

Proposta da criação de um Museu de Arqueologia do vale do Itapocu no novo colegiado de cultura da AMVALI (Associação dos Municípios do Vale do Itapocu) no último dia 04 de abril de 2017. Link de acesso a matéria na imagem da foto.

Programa Cidade em Ação (06/07/2016) - TV Cidade de Joinville / SC.

Redescobrindo o Itapocu - Documentário Completo

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Coleção Jacob Andersen - Um acervo de material arqueológico que se perdeu no vale do rio Itapocu

O dinamarquês de nascimento, porém, brasileiro, catarinense e jaraguaense de coração Jacob Andersen, foi um dos pioneiros em salvaguardar entre outros objetos de museu um considerável material arqueológico que foram encontrados em sua maioria no vale do rio Itapocu. Cidadão da antiga colônia Jaraguá (atual Jaraguá do Sul) desde a década de 20 do século passado, foi um exímio relojoeiro de sua época. Contudo, um de seus legados também foi possuir na condição de detentor uma coleção particular de material arqueológico que ficava na sua antiga residência no centro da cidade de Jaraguá do Sul. Infelizmente, restou apenas nos dias atuais somente algumas referências bibliográficas descrevendo este seu acervo arqueológico nas décadas de 60 e 70 do século passado. Após o falecimento de Jacob Andersen alguns anos depois, esta coleção de material arqueológico acabou sendo comprada em sua maioria por uma instituição desconhecida do estado do Rio Grande do Sul. Conversando por telefone com uma de suas netas sobre os materiais arqueológicos salvaguardados pelo seu falecido avô, a mesma disse que infelizmente sua família não possui nenhum material arqueológico nos dias atuais, muito menos alguma foto ou outra referência que pudesse ao menos lembrar este acervo. Por isso, como forma de homenagear um dos pioneiros na guarda de materiais arqueológicos encontrados no vale do rio Itapocu, estarei publicando as páginas das referências bibliográficas conhecidas onde mencionam a extinta coleção arqueológica de Jacob Andersen.

Revista Quatro Rodas - Edição 51 (Outubro de 1964), página 86.

ANPUH / 1965 (Associação dos Professores Universitários de História) - As Fontes Primárias da História: Fontes Arqueológicas Catarinenses (Walter Fernando Piazza), página 461.

Um capitulo na povoacão do vale do Itapocu (O Segundo Livro do Jaraguá) - Emílio da Silva (Edição de 1975), página 332 / (Edição de 1983), páginas 396 e 397.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Contribuição de Beneval de Oliveira sobre os sambaquis costeiros no vale do rio Itapocu.

Estarei falando da pequena, porém, importante contribuição do professor de geografia Beneval de Oliveira em relação aos sambaquis costeiros no vale do rio Itapocu. Pra começar, farei um breve resumo deste pesquisador que foi técnico do Instituto do Mate, membro da Associação dos Geógrafos Brasileiros (A.G.B.) e com o patrocínio do Conselho Nacional de Geografia (C.N.G.), acabou relatando os vários aspectos geográficos de algumas regiões dos estados do Parana e Santa Catarina durante a década de 40 do século passado. O mesmo ainda lançou alguns livros e publicações de contexto geográfico e histórico nas décadas de 50, 60, 70 e 80. Contudo, entre seus trabalhos, estarei mencionando o periódico "Boletim Geográfico" (Volume 2, Número 17, mês de agosto de 1944), quando o mesmo tinha suas conferências registradas em ata que eram publicadas na seção "Tertúlias Geográficas Semanais", especificamente a "Sexagésima Sétima Tertúlia, Realizada a 6 e 8 de Junho de 1944", com o título "Comunicação do prof. Beneval de Oliveira sobre a zona litorânea do norte catarinense. Adiamento da sessão de 6 de junho em homenagem à notícia da invasão da Europa para sua libertação. Sessão de 8 de junho - A paisagem física do Itapocu e da Babitonga, climatologia. Vegetação, solos. Aproveitamento pelo homem. As cidades. Debates: Origem dos Sambaquis - Evolução geomorfológica desse litoral, pelo prof. Francis Ruellan" (páginas 682 a 696).
Na página 694, o conferecista Beneval de Oliveira faz uma pequena mas importante observação:

"Informou o conferencista não ter encontrado sambaquis além de 10 quilômetros no vale do Itapocu".

O que podemos tirar de conclusão sobre o parágrafo descrito acima por Beneval de Oliveira em 1944? Coincidência ou não, o sambaqui costeiro mais longínquo conhecido atualmente e que pertence a bacia hidrográfica no vale do rio Itapocu, se encontra justamente a 10 quilômetros de sua foz com o mar perto na região do rio Piraí (afluente do rio Itapocu na sua margem esquerda) e foi catalogado aproximadamente 15 anos atrás com o nome de "Rainha 1" que fica na localidade de Corveta em Araquari. Esta informação confirma que desde aquela época existe pouca incidência de sambaquis costeiros no vale do rio Itapocu. Portanto, a importância de preservar os poucos sambaquis costeiros ainda existentes nas imediações na região da foz do rio Itapocu (sambaquis costeiros Faisqueira 1 e 2, Itapocu, Rainha 1 e 2) entre as cidades de Barra Velha e Araquari.

Link pra download do "Boletim Geográfico" (Volume 2, Número 17, mês de agosto de 1944).

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Acervo particular do Sr. Rui em Jaraguá do Sul - SC.


Datação da peças: Desconhecida

Tradição: Itararé

Este acervo particular se encontra atualmente com seu detentor na localidade de Rio Cerro 2 em Jaraguá do Sul - SC. Cerca de 60 anos atrás, integrantes de sua família ao fazer o arado na encosta de um morro próximo de sua propriedade acabaram encontrando de forma fortuita dois machados de pedra de granito e parte de um machado de pedra conhecido como "cunha de punho".


sexta-feira, 6 de maio de 2016

Contribuições de Guilherme Tiburtius e Alsedo Leprevost na história da arqueologia no vale do rio Itapocu.

Pouca gente sabe, mas entre as décadas de 40 e 50 do século passado, houve alguns estudos acadêmicos sobre materiais arqueológicos encontrados e recolhidos na nossa região. Contudo, alguns anos antes, outros materiais arqueológicos já tinham sido recolhidos e extraviados para os Estados Unidos, conforme a nota do livro "Indian Notes - Volume 7" - Nº 1/Janeiro de 1930, página 108 (acesse o link abaixo):

http://arqueologiavaledoitapocu.blogspot.com.br/2013/09/esclarecimento-historico-sobre.html

Voltando aos estudos arqueológicos da nossa região, estarei mencionando os trabalhos de pesquisa de Guilherme Tiburtius e Alsedo Leprevost que recolheram e estudaram alguns materiais arqueológicos encontrados no vale do rio Itapocu e imediações, sendo que estas pesquisas foram publicadas em alguns volumes do periódico anual "Arquivos de Biologia e Tecnologia" (Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnologicas), de Curitiba / PR.
Entre os vários volumes, estarei mencionado dois artigos que foram publicados nos volumes 8 (1953) e 9 (1954):

Primeiro artigo publicado no volume 8 de 1953, intitulado:

"Nota sobre a ocorrência de machados de pedra, nos estados do Paraná e Santa Catarina" - Arquivos de Biologia e Tecnologia (1953), volume 8, páginas 503 a 556.

Neste artigo, os pesquisadores abordam os vários tipos de machado de pedra que foram encontrados nos estados do Paraná e também em Santa Catarina. Sobre estes artefátos líticos, estarei mencionando os machados de pedra que foram encontrados no sítio arqueológico de Itacoara (Joinville), sítio arqueológico (cerâmico) do Poço Grande (entre Araquari e Guaramirim) e fortuitamente encontrados também nas localidades de Garibaldi (Jaraguá do Sul) e Mato Preto (São Bento do Sul).


II - Machados nos Sambaquis


1(b) - Machados (cunhas de punho) com lâmina polida:

2099 - Encontrada na jazida paleo-etnográfica de Itacoara, Santa Catarina. Também confeccionada de pedra rolada, retangular com perfil em cunha, sendo que a base de apoio para a as arestas dos bordos laterais foram só levemente lascadas e as arestas menores foram repicadas, com o que os lados tornaram-se iguais. Nesta peça notamos inúmeros sinais de batidas: foi aplainada no sentido longitudinal, porém o polimento do gume foi realizado no sentido transversal, o que facilmente se observa, pela direção dos riscos existentes. A base de apoio adapta-se perfeitamente à mão e os dedos. Comprimento: 170 mm; largura: 103 mm; espessura máxima: 44 mm; peso: 1.390 g. (páginas 516 e 517)

Figura Nº 8, página 519.


2 - Machados finos:

2.083 - Encontrado na jazida paleo-etnográfica de Itacoara, Santa Catarina. Além deste, foram retirados nas escavações por nós efetuadas no sambaqui de Matinhos, Paraná, mais duas peças semelhantes. Tanto as arestas da porção superior aparentando cabo, como do restante do machado, são perfeitamente arredondadas, sendo a peça bem polida. As superfícies laterais são ligeiramente abauladas e o gume ligeiramente arcado, sendo bem afiado. Esta peça foi obtida em diabásio. Comprimento: 245 mm; largura: 146 mm; espessura máxima: 16 mm; peso: 1.250 g. (páginas 521 e 522)

Figura Nº 9, página 521.


4 - Machados retangulares (sem entalhe):

2.307 - Encontrado no sambaqui de Itacoara, Santa Catarina. Machado retangular, fino, com grandes sinais de lascamento nos bordos, assim como no extremo superior. Nos sinais. isto é, riscos, deixados pelo polimento, vê-se que a lâmina foi primeiramente trabalhada no sentido longitudinal e depois no sentido transversal. Nos bordos laterais, somente o mais grosseiro foi polido. Este machado esteve encabado por sua altura média. Comprimento: 169 mm; largura 104 mm; espessura: 39 mm;, peso: 1.260 g. (páginas 527 e 528)


2 615 - Encontrado no sambaqui de Itacoara, Santa Catarina. É um machadinho pequeno e estreito, encontrando-se ainda em todas as superfícies os sinais do lascamento, os quais permaneceram mesmo depois do polimento; as arestas que ficaram foram arredondadas posteriormente. Também este machado esteve fixado por sua altura média. A lâmina foi produzida segundo as faces, por isso tornou-se um instrumento muito afiado. Comprimento: 100 mm; largura: 45 mm; espessura: 26 mm; peso 215 g. (página 528)

Figura Nº 12, página 526.



III - Machados dos Planaltos


1 - Machados Finos

3.961 - Encontrado na localidade de Poço Grande, Santa Catarina; é um machado longo, porém estreito e fino. Caprichosamente polido, permanecem só ligeiros vestígios dos riscos da lapidação. Os bordos são ligeiramente abaulados, sendo arredondados em todo o comprimento. A lâmina foi obtida em ambas as superfícies, de maneira a fornecer um gume quase reto e bem afiado. Na extremidade superior houve também polimento. Este machado foi encontrado junto com outros objetos de pedra e muitos fragmentos de cerâmica, em um antigo aldeiamento indígena a 15 km de Joinville. Comprimento: 235 mm: largura: 60 mm; espessura: 20 mm; peso: 615. (página 531)

Figura Nº 14, página 532.


3 - Machados Diversos (a) - Semi Lunar

1.506 - Encontrado em Mato Preto, próximo de São Bento, Santa Catarina. Foi desenterrado junto com uma bola de pedra para funda. É um objeto delicadamente trabalhado, polido com uniformidade e perfeição, sendo iguais os dois lados. Apesar de possuir, um gume muito afiado, este machado não poderia ser usado para golpear, pois as pontas quebrariam muito facilmente. Além desta peça inteira, possuímos dois fragmentos de outras, um achado próximo a Curitiba e o outro em Tibagi. Da Ilha do Arvoredo, ao largo do litoral catarinense, obtivemos uma verdadeira foice em pedra lascada, não havendo o menor indício de afiação. Comprimento: 127 mm; largura entre as pontas: 150 mm; largura da base: 61 mm; espessura: 27 mm; peso: 510 g. (página 537)

Figura Nº 16, página 538.



6 - Machados com Secção Elipsoidal

1.228 - Encontrado na colônia de Garibaldi, não muito distante da cidade de Jaraguá, em Santa Catarina. Antigamente foi aí encontrado muito material lítico, não se conhecendo o destino que os agricultores deram ao mesmo. Este é um machado quase redondo, possuindo o gume somente metade da largura do corpo do machado, porém ainda bastante amolado. O extremo superior é plano e não lapidado, bem como o terço superior; nos demais lugares o polimento é perfeito. Comprimento: 142 mm; largura: 56 mm: espessura: 48 mm; peso: 590 g. (página 548)

Figura Nº 19, página 547.




Segundo artigo publicado no volume 9 de 1954, intitulado:


Nota sobre a ocorrência de virotes nos estados do Paraná e Santa Catarina (1954) - Arquivos de Biologia e Tecnologia (1954), volume 9, páginas 87 a 98.

Neste artigo, os pesquisadores abordam os vários tipos de virotes de pedra, osso e madeira que foram encontrados nos estados do Paraná e também em Santa Catarina. Sobre estes artefátos líticos, estarei mencionando os virotes de pedra que foram encontrados no sítio arqueológico de Itacoara (Joinville) e fortuitamente encontrados também nas cidades de Corupá e São Bento do Sul.


II - Virotes de Pedra


2416 - Encontrado em Itacoara, próximo de Joinville, Santa Catarina. Comprimento: 103 mm; diâmetro maior: 39 mm; peso: 97 g. Esta peça foi encontrada na jazida paleoetnográfica do mesmo nome, incluída em uma grossa camada de conchas de bacucu; não muito distante, no mesmo horizonte encontrou-se a porção inferior de outro virote. A peça inteira e o fragmento são caprichosamente polidos. (página 90)

Figura Nº 2, página 92.

139 - Encontrado em São Bento, Santa Catarina. Comprimento: 75 mm; diâmetro maior: 32 mm; peso: 56 g. Foi obtido de uma pedra com manchas brancas e pretas, provavelmente diorito decomposto superficialmente. Esta peça foi encontrada cravada na copa de um pinheiro, sendo retirada com dificuldade. (página 94)

4216 - Encontrado em Corupá, ex-Hansa, Santa Catarina. Comprimento. 79 mm; diâmetro maior: 46 mm; peso: 131 g. É um objeto deveras raro e belo, preparado de uma pedra de quartzo branco. (página 94)

Figura Nº 3, página 93.



Observações: em relação ao sítio arqueológico de Itacoara (Joinville), existem outros artigos sobre este local que foram publicados nos demais volumes do periódico "Arquivos de Biologia e Tecnologia", contudo, estarei mencionando de momento as seguintes notas dos volumes 8 (1953) e 9 (1954).